Chama Verequete...

Chama Verequete. Louvado seja o Mestre do Carimbó que faleceu ontem, vítima de infecção generalizada posterior à grave pneumonia e insuficiência respiratória. O homem que sedimentou o carimbó como Cultura Paraense ao lado de homens como Cupijó e Chico Braga e que, principalmente, acreditou na imortalidade do estilo musical.
Verequete não mais está aqui para ver com os próprios olhos o Carimbó como Patrimônio Cultural  - conforme dizem: é preciso que a situação se agrave para que alguma coisa mude pra melhor -, mas a cidade ainda pode louvar o Mestre no Theatro da Paz neste último dia.

Sobre suas palavras, então, é com grande pesar que comento este adeus, pois se existem furos ou exageros na história regional, este é, sem dúvida, um imenso. Mais uma vez vai um mestre e fica a obra.
"O carimbó nunca morre. Quem canta o carimbó sou eu".

Vende-se Personalidade Virtual

Nota aos leitores: Gostaria de alegar meu desejo de assiduidade, mas pra ser sincera não to conseguindo ser assídua a nada nesses últimos tempos. Eu bem que entro aqui todos os dias, mas só escrevo quando as palavras saem - assim como agora: uma a uma.
Um vulcão de ideias, confesso, mas pouca facilidade ultimamente, pouca clareza. Sabe, eu nunca seria escritora com datas fixas de lançamento, meu compromisso é com a inspiração.

Depois dessa mínima nota ou justificativa - como queiram - me ocorreu o tema proposto no título, quase que auto-explicativo e bastante recorrente. Digam se vocês nunca pensaram 'x' de uma pessoa na internet e depois descobriram que ela é 'y', 'z', 'w', o alfabeto inteiro... exceto... 'x'!
É eu tenho dessas observações para com as pessoas e, confessem, é impossível não ter! Já li coisas fenomenais de pessoas vazias e já li coisas completamente vazias de pessoas fenomenais.

Essa febre por revolucionarismo iconográfico é outra coisa que, por exemplo, não passa do discurso. Já vi um quadrilhão de fotos em tributo e veneração de artistas cults de quem a pessoa ouve no máximo o gratest hit ou nem se quer ouviu falar. E pior, já cansei de ver e rever utilização e livre apropriação de fotos de outrem por mera necessidade de exposição daquele padrão de beleza, de estilo, de estética como se autenticamente seu fosse.

A Personalidade Virtual tem se mostrado um tanto quanto comercial e, diga-se de passagem, está a preço de banana no mercado. Eu mesma estou vendendo a minha. Sim, aqui e agora. Espero que análoga à personalidade de fato, sempre. Digo, creia essencialmente. Tomar como parâmetro artigos, blogs, twitter, orkut e afins é uma bela de uma furada.


Escrever no Século XXI está muito fácil. A começar pelo Blogger e a terminar pelo Google. Aproveite o meio técnico-científico-informacional. Le Chanois e Rodin estão a um clique de você.

Íntimo

     Ardo nessa sensação de agora: de frio entre os dedos dos pés - frio por saudade -, de palavras elétricas pousando sorrateiras (sem ruídos fazer). Devaneios suspendem-me, corrompem-me. Noite adentro lavam-me os conceitos. Liberdade poética, hermética, liberdade, amor. Até que por trás de letras protejo-me no casulo daqui. Aquele que deixaste pra que eu dormisse em paz, para que no clarão dos sóis do amanhã eu arda de novo borboleta, como fogo, e para que sejas motivo das covinhas, logo de manhã, e de todos meus pés-de-galinha no fim da tarde.

Conhecimento Emancipação x União Homoafetiva

Texto jurídico carrão-de-sena. Espero que seja o primeiro de vários. Este é para os que me julgavam desapaixonada, descrente, desinteressada pelo ramo (com todo esse exagero, é claro. Não seria eu se esse draminha não existisse).

Do conhecimento emancipação só quero alguns pontos. O primeiro é essa soberania solidária que leva à democracia como deve ser. Participativa e não estática-conformista.
Com esse modelo eficiente de democracia, pelo menos na teoria do C.E., é possível realçar a conservação dos trunfos políticos comuns.. e me interessam dois: direito a liberdade de expressão e a livre decisão de ir e vir, assim como o direito a igualdade plena, valendo-se a proteção desta perante a sociedade e de sua defesa mediante o ordenamento jurídico.

Erga Omnes, é aqui onde quero chegar. Efeitos jurídicos da democracia para todos (sim, eu disse todos: brancos, negros, pardos, índios, amarelos, orientais, homens, mulheres, idosos, homossexuais, heterossexuais, transexuais, bissexuais, criminosos, condenados, absolvidos, vitimados, réus, autores, crianças, políticos, domésticas, empregadores, locatários, servidores, operários, ... , para todos).

A questão que pretendo abordar - pelo menos até então era essa a proposta - é a da união homoafetiva. A partir dessa introduçãozinha e dos tão recorrentes discursos sobre o sistema, sobre a evolução paradigmática do Conhecimento Regulação para o Conhecimento Emancipação, me ocorreu a questão homoafetiva - também muito suscitada, diga-se se passagem - como passível de garantia de direitos.

Existem mil e um exemplos de jurisprudências que "cambam", de justa forma e plena razão, para a equiparação e defesa de direitos dos casais do mesmo sexo não amparados (decorridos todos esses vinte e um séculos) pela fonte formal do direito, a lei.
Falando em temporalidade, ouvi um dia desses na calçada em frente à universidade uma citação nem tão célebre assim que, mais ou menos, dizia: "gay, pra mim, é uma classe social nova". Não sei se discorro mais sobre o nova, ou sobre o mau emprego de classe social. Bom, como o foco é temporalidade, ouso discordar ser novo algo que advém da Idade Antiga, de civilizações tão tradicionais quanto a romana, egípcia, grega e assíria. Na Grega, principalmente.

Com as ascensões religiosas, os homossexuais foram resignados a um caráter pervertido, anômalo. Mas após tantos anos de ostracismos, encobrimentos, traumas, 'arrancações-de-cabelo' (e sim, acho que essa é a expressão), os integrantes desta 'classe tão distinta' usam da democracia participativa e da cidadania deliberativa - e vice-versa - para lutar e garantir alguns direitos. Aí entra a teoria Emancipatória, a sociedade democrática e por conseguinte o Ordenamento Jurídico.

Quantos séculos mais serão necessários para assugurar igualdade e liberdade àqueles que delas precisam assim como qualquer outro cidadão? Vinte e um séculos não foram suficientes para sedimentar na jurisdição uma igualdade que, de fato, fosse refletida na sociedade?

Quando a prefeitura não pensa o povo padece

Hoje é dia de regionalizar: Dissemos um largo adeus à Julho de 2009, Belém do Pará ficou às moscas o mês inteiro e, em plena volta das férias, Agosto, caos urbano, a prefeitura usando da melhor das intenções possíveis resolveu acelerar as obras na Mundurucus entre Alcindo Cacela e 14 de Março.
Parece que todo mundo em Julho saiu de Férias, inclusive a Secretaria de Saneamento, que não aproveitou a cidade vazia pra acabar com os alagamentos.
Bom, de qualquer forma o transtorno de não ter um automóvel híbrido em Belém foi substituído pela interdição da via. Natural. Mas por que não em Julho?

O céu é um set da MGM

Existe algo de errado num mundo em que as pessoas não saem cantando e dançando na rua.

Ah, musicais. Estou disposto a defender a tese de que a MGM, quando Arthur Freed era produtor de lá, e especialmente no período entre O Mágico de Oz (1939) e Gigi (1958), era solo sagrado. Tenho uma devoção religiosa a nomes como Freed, Fred Astaire, Betty Comden, Alan Jay Lerner e Frederic Loewe; e toda a minha noção do que é sublime vem da cena da charrete em A Roda da Fortuna.
As pessoas sempre riem dos musicais porque um personagem de repente sai cantando, mas deviam rir é da vida porque ninguém sai cantando assim - improvisando de súbito uma melodia perfeita e uma letra toda espertinha. Vocês não sentem que a vida devia ser assim? Não é esse o prazer de ver um musical - imaginar um mundo em que nosso pensamento seja tão rápido, tão desimpedido de sono, cansaço e burrice que possamos improvisar grandes músicas ao ritmo de uma a cada dez minutos, no supermercado, na feira, no aeroporto? E onde nossos corpos sejam tão ágeis (ou talvez a gravidade seja um pouquinho menor, ou ambos) que enquanto cantamos vamos improvisando uma dança e subindo as arquibancadas da quadra de vôlei, enquanto as outras pessoas não riem, mas pelo contrário, se juntam à dança numa coreografia espontânea, espantosa?
Existe algo de errado num mundo em que as pessoas não saem cantando e dançando pela rua, e se muitas pessoas não gostam de musicais, é porque sentem que esses filmes as criticam de uma forma mais violenta que qualquer outra forma de arte. Outras formas de arte que ficam nos acusando de sermos burgueses, alienados, meio esquecidos, vesgos, carecas, barrigudinhos - todas acusações ridículas. Não, é pior. Somos aqueles que são incapazes de improvisar uma música quando compramos uma maçã de uma velhinha dançante, numa banca de frutas colorida como um set de Vincent Minelli.
Essa falha na natureza humana só será redimida no céu. Quando de diz que os anjos cantam, é isso que se quer dizer - que eles cantam. Os retratos mais realistas da vida no céu - de um realismo de cinema italiano do pós-guerra, mesmo - são filmes como Um Americano em Paris e A Roda da Fortuna - que são uma espécie de descrição literal de como vivem os santos depois dos martírios todos. Depois que as fogueiras esfriaram e os leões fizeram suas digestões, os mártires subiram para um céu que se parece com um set de Paris da MGM, e estão cantando até hoje, com George e Ira Gershwin e Cole Porter tentando anotar a letra em pedacinhos de papel e nas mangas das camisas, mas sendo impossibilitados pelo fato de que estão eles mesmos dançando como loucos. Deus mesmo é um número de dança.

A. S. Silva
BRAVO!, Ed 115 - Teatro.
Março 2007

Um pingo de Churchill

Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos
Resposta de Churchill:
- Por que não ? Você me parece bastante saudável ..

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Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu desafeto.
Convite de Bernard Shaw para Churchill:"Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver." Bernard Shaw.
Resposta de Churchill: "Agradeço, ilustre escritor, honroso convite.. Infelizmente não poderei comparecer primeira apresentação. Irei à segunda, se houver."
Winston Churchill.

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O General Montgomery estava sendo homenageado, pois venceu Rommel na batalha da África, na IIª Guerra Mundial.
Discurso do General Montgomery:' Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói '.
Churchill ouviu o discurso e com ciúme, retrucou:' Eu fumo , bebo, prevarico e sou chefe dele.'

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Bate-boca no Parlamento inglês . Aconteceu num dos discursos de Churchill em que estava uma deputada oposicionista, Lady Astor, do tipo Heloisa Helena do PSOL, que pediu uma parte . Todos sabiam que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos . Mas, concedeu a palavra à deputada. E ela disse em alto e bom tom :
- Sr. Ministro , se V. Excia. fosse o meu marido, eu colocava veneno em seu chá!
Churchill, lentamente , tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu toda a platéia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, lascou:
- Nancy, se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá.